crimes ciberneticoA facilidade de ir à loja fazer compras sem sair de casa pode virar uma dor de cabeça para o consumidor mais desatento. A cada 100 compras realizadas pela internet, cerca de três sofrem alguma tentativa de fraude, segundo levantamento feito pela empresa de segurança na web Fcontrol com 4 mil estabelecimentos comerciais virtuais. O número representa um aumento de 43% nas ações para enganar consumidores em 2012, em comparação com o ano anterior. É mais que o dobro do que cresceu o faturamento do setor, que teve alta estimada entre 14% e 20% no ano passado, segundo estudos de consultorias.

O valor dos golpes também cresceu. Saltou 24% no ano passado e está acima da média das compras tradicionais. “O tíquete médio das fraudes, em 2012, foi de R$ 898,93 contra R$ 405,24 das transações consideradas boas. No ano anterior, esse valor foi de R$ 720,02 contra R$ 341,30 da média das operações confiáveis”, revela o diretor da Fcontrol, Marcelo Teodoro. No entanto, o executivo observa que o percentual de negócios que efetivamente deram prejuízo aos clientes se manteve estável na comparação anual: 0,4% do total.

Esse ritmo acelerado no avanço das tentativas de fraudes reflete a inclusão dos consumidores on-line vindos da nova classe média. Uma estudo feito pela empresa e-bit estima um salto de 38%, em 2012, no total de consumidores, para 43 milhões. Mais da metade desses novos compradores (56%) pertencem à classe C. Esses cidadãos ainda não estão acostumados a fazer compras na internet de forma segura e, por isso, são o principal alvo dos fraudadores.

Teodoro aconselha ao consumidor ficar atento ao uso do cartão de crédito, principal instrumento visado pelos fraudadores on-line. “Geralmente, os dados são roubados em estabelecimentos off-lines, como postos de gasolina. É bom prestar atenção na hora de pagar a conta e evitar que o frentista leve seu cartão para longe da vista”, avisa. O executivo recomenda também que o consumidor evite sites desconhecidos e busque aqueles que possuem algum certificado de segurança na página inicial.

Outra dica é buscar sites que ofereçam a opção de algum sistema de pagamento seguro, que faz a intermediação entre o comprador e o vendedor virtual. “Nesses casos, a empresa só repassa o valor pago pelo cliente depois que há a confirmação do recebimento do produto. Se a entrega não ocorre, o consumidor recebe de volta o que pagou”, diz Teodoro. Ele destaca ainda que é possível fazer compras seguras pela internet, e a prova disso é que, no ano passado, somente a empresa em que trabalha conseguiu bloquear mais de R$ 150 milhões em transações fraudulentas.

Turismo 
O aumento das compras de passagens aéreas e de pacotes de viagens pela internet também ajudou no crescimento desse mercado virtual. Dados da Fcontrol mostram que a categoria turismo ultrapassou a de telefonia como principal alvo das fraudes e liderou o volume do ano passado. Isso também ajudou na elevação do valor médio dos golpes. “Normalmente, quando há roubo dos dados do cartão, o fraudador usa a internet para realizar uma compra pequena, como a carga de celular”, explica.

As tentativas de golpe no Distrito Federal ficaram abaixo da média nacional, mas também cresceram. Teodoro conta que o percentual dos golpes passou de 1,4% para 1,8% do total das operações e o DF manteve-se na oitava posição entre as unidades da Federação com o maior número de ataques de fraudadores. Goiás é o estado que teve o maior crescimento desse indicador: 63%, passando de 3,3% para 5,4% do total. “Isso ajudou a elevar a média nacional para cima”, afirma o executivo, sem saber explicar o porquê desse aumento regional.

Fonte: Correio Braziliense