piramide do trabalhoO Ministério da Justiça decidiu exonerar o delegado Luiz Carlos de Carvalho Cruz, diretor de Operações da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), após receber informações de que ele teria enviado a dezenas de autoridades federais um e-mail propondo adesão ao chamado golpe da pirâmide. O gabinete do ministro José Eduardo Cardozo avalia agora a abertura de um processo disciplinar contra o policial, n.º 2 na secretaria.

 Na mensagem, que partiu de sua caixa pessoal às 15h09 de 26 de fevereiro, ele convida os colegas de distintivo a ganhar dinheiro “fácil” e “lícito” por meio do esquema, enquadrado nas delegacias de todo o País como estelionato. Tradicional na praça, o golpe da pirâmide consiste no recrutamento progressivo de pessoas para um programa de investimentos, iniciado por um pequeno grupo. O dinheiro aplicado pelos que chegam por último serve para remunerar os primeiros.

 O sistema, porém, é insustentável, pois, em determinado momento, o número de participantes é tão grande que não há quem os compense. Na prática, só lucram os que entram no esquema originalmente e, em geral, bolam o golpe.

 Com o título “Oportunidade imediata”, o e-mail diz ser possível ganhar “bem mais de R$ 300 mil” com um investimento de apenas R$ 12. Em primeira pessoa e assinado pelo diretor, o texto diz que para ganhar o dinheiro basta convencer mais gente a fazer o mesmo.

 “Meus amigos, recebi o e-mail abaixo e resolvi pagar para ver. Fiz uma análise do sistema. É a famosa pirâmide, mas com a diferença de que o depósito cai direto na sua conta corrente. E, para dar certo, você só precisa convencer mais pessoas a entrar e investir os doze reais”, teria escrito o delegado.

 O Ministério da Justiça negou que a exoneração tenha relação com o e-mail e afirma que o delegado fará um curso de aperfeiçoamento. No entanto, fontes da pasta informaram que, após ser informado do fato, Cardozo considerou a presença do delegado insustentável. A assessoria da pasta explicou que o policial é delegado de classe 1 e, para ascender à classe especial, terá de passar por capacitação que dificultaria suas atividades na Diretoria de Operações. O curso, online, dura cerca de seis meses; diversos policiais federais o fazem, sem se afastar de suas funções.

 Cruz informou à reportagem ter passado um antivírus em seu e-mail e que enviaria um alerta às autoridades que receberam a proposta de adesão ao esquema da pirâmide. “Sou vítima disso aí”, alegou. “Não sei nem se eu mandei (o e-mail). Posso até ter repassado ou alguém botou meu nome ali. Tem de ver isso”.

 Embora se trate de um golpe coletivo, Cruz disse que não pedirá investigação por se tratar de uma questão privada e por causa do excesso de atividades na condução da Diretoria de Operações. “Estou com uma porrada de coisas para fazer. Tenho filho para cuidar”, explicou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 Fonte: Ig