grampo2Alguns erros, em mil páginas. Essa foi a justificativa dada pela Polícia Civil de Curitiba para a troca do verbo ‘raciocinar’ por ‘assassinar’, na transcrição de conversas telefônicas entre a médica Virgínia Helena Soares de Souza e um colega da unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Universitário Evangélico da cidade. A conversa, entregue à Justiça, foi interceptada durante as investigações de supostos assassinatos de pacientes terminais na unidade de saúde, que culminaram na prisão de Virgínia e de quatro funcionários. A defesa da médica vai pedir a retirada das transcrições do inquérito.

Com a correção, a frase da médica foi reescrita: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila para raciocinar, para tudo, né?”. A divulgação do primeiro texto aconteceu no início da semana, quando a gravação vazou para a imprensa. Entretanto, no sábado, a delegada que cuida do caso, Paula Brisola, havia feito a correção. Além da troca da palavra, havia outros erros na transcrição dos telefonemas, como nos nomes dos interlocutores. A interceptação foi feita em um dos ramais utilizados por Virgínia na UTI.

O advogado da médica, Elias Mattar Assad, disse que vai pedir à Justiça que considere as transcrições como provas ilícitas. Elas foram usadas pela polícia para pedir a prisão preventiva de Virgínia. Ele considerou que não houve um erro dos investigadores nas transcrições, mas sim, uma manobra para prender sua cliente. “Confundiram Bento XVI com BR-116 e a consequência disso foi catastrófica”, ironizou Assad. A Polícia Civil informou apenas que a delegada Paula Brisola não irá se pronunciar. Desde que o caso começou a ser apurado, ela não tem feito declarações à imprensa.

Virgínia Helena de Souza está presa desde 19 de fevereiro, acusada de mandar desligar aparelhos da UTI para matar pacientes em estado terminal. A investigação da Polícia Civil do Paraná começou há um ano e, até agora, duas pessoas, além da médica, estão presas.

 

Fonte: Correio Braziliense