períciaPor Valdemir Ferreira do Carmo

A direção do Departamento de Polícia Técnica e Científica – DPTC, na pessoa do Dr. Cícero de Souza, do Instituto de Criminalística, Dr. Fernando Otílio Santos, bem como do Sindicato dos Peritos Criminalísticos do Estado de Rondônia sob a presidência do Dr. Edson Rigoli, tem pautado suas ações no sentido de prestar para a sociedade rondoniense, o melhor serviço de perícia criminal possível, desde Vilhena à Guajará Mirim. Ocorre que para isso é necessário recursos materiais e humanos para corresponder à melhor expectativa possível essa prestação de serviço, que nem sempre temos à nossa disposição. Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, o número de peritos criminais ideal para atender com qualidade o nosso trabalho é de um perito para cada grupo de 5.000 habitantes. Com uma população de 1.562.409, o Estado de Rondônia precisaria hoje de 312 peritos, todavia o nosso quadro é de apenas 136 profissionais.
Pedidos, reclamações, ofícios tem sido encaminhados insistentemente para a direção geral de polícia para melhorar o quadro, todavia, os pedidos não são completamente atendidos e a gente vai se virando como pode.
Antes de identificarmos e valorizarmos a necessidade do serviço para uma determinada comunidade, objeto dessa matéria, temos também que identificar e valorizar o ser humano, pois o Perito criminal também é um ser humano. Será que é justo termos numa localidade dois profissionais de perícia numa escala de trabalho de vinte e quatro por vinte e quatro horas de trabalho? Sendo que nessas vinte e quatro horas que teoricamente seriam de descanso ele estará de sobreaviso, pois caso o colega atenda uma ocorrência distante o mesmo será acionado. E o seu descanso? E sua família como fica, e o tempo necessário para elaborar os laudos periciais? E o tempo necessário para estudos de sua constante necessidade de aprimoramento profissional? Ai eu pergunto é justo sobrevalorizarmos o serviço em detrimento do ser humano? Outro ponto, na própria matéria vemos que um dos peritos está de licença prêmio, então como ficará a escala da colega? Vinte e quatro por um banho? Ou seja, toma um banho e volta pra escala de novo? São perguntas que faço e não consigo respostas.
A população de Jaru é tão importante quanto a população de Nova Califórnia na fronteira com o Estado do Acre, distante, portanto 364 quilômetros de Porto Velho. A unidade de perícia que atende aquela localidade é o IC na capital e lembro que uma vez fui acionado para um local de acidente de trânsito com vítimas fatais naquela localidade e saí de PVH às 16:00hs e cheguei ali para atender aquela ocorrência exatamente as 20:30hs, quatro horas e meia portanto depois da chamada. Se a população de Jaru é importante a ponto de não poder esperar tanto tempo pelo perito, a população de Nova Califórnia também não pode. É assim que penso.
A solução existe. Precisamos hoje de 176 peritos para atendermos de forma satisfatória a perícia criminal do Estado de Rondônia. Caso o Governador Confúcio leia este comentário e se sensibilize ajustando nosso quadro, então o problema de Jaru, Nova Califórnia, Ouro Preto, Pimenta Bueno, Itapuã, Espigão do Oeste, Machadinho, Buritis e muitas outras localidades serão de pronto atendidas com seções de criminalística.

Autor: Valdemir F. Carmo – Perito Criminal e vice-presidente do SINPEC.