A indicação do delegado e superintendente da Polícia Federal (PF) em Goiás, Joaquim Mesquita, ao cargo de secretário de Segurança Pública e Justiça pelo governo de Goiás não foi bem aceita pelas associações militares que representam policiais e bombeiros. A Associação dos Cabos e Soldados (ACS) e a Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Goiás (Assego) consideraram o novo nome uma afronta às duas entidades.

 A reação deu-se em virtude da ação da Polícia Federal, em fevereiro do ano passado, em que 19 policiais militares foram presos após acusações de que eles faziam parte de um grupo de extermínio com atuação no Estado, na chamada Operação Sexto Mandamento. A ACS e a Assego afirmam que as entidades ainda “não superaram o trauma” da operação. O POPULAR tentou ouvir o superintendente Joaquim Mesquita, mas ele não atendeu as ligações.

 Segundo as investigações realizadas durante a operação, cerca de 40 pessoas morreram ou desapareceram após abordagens policiais. Os militares detidos foram levados pela Justiça ao presídio federal de Campo Grande (MS) por quatro meses, quando voltaram para uma detenção militar, em Goiânia. Atualmente, 18 dos 19 militares já estão soltos e voltaram ao trabalho, lotados em cargos administrativos. A maioria dos processos envolvendo os policiais ainda não foi a julgamento.

 Uma carta escrita no último dia 11, um dia após a confirmação da indicação de Mesquita ao cargo, afirma que o “sargento Gilberto Cândido de Lima e o subtenente Maxuelo Braz de Paula, que representam mais de 12 mil praças, ativos e inativos, da Polícia Militar e Bombeiro Militar, lamentam a decisão do governo do Estado que tem gerado inquietação e protesto em praticamente todas as unidades militares”.

 Na opinião das entidades, o governo deveria ter ouvido os militares antes da decisão. O anúncio da troca na segurança pública, com a saída do atual secretário João Furtado de Mendonça Neto e a entrada de Joaquim Mesquita, foi feito pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Edson Costa Araújo, em nome do governador Marconi Perillo, na quarta-feira.

 Na ocasião, coronel Edson avaliou que Joaquim Mesquita era um bom nome para comandar a segurança pública goiana. “É alguém que a gente já conhece, que está aqui, que faz um bom trabalho na Polícia Federal e que conhece a realidade da segurança pública em Goiás”, afirmou. Nos bastidores, militares chegaram a comemorar a saída de Furtado e a opção pelo nome de Mesquita, descrito como rigoroso e cumpridor das leis e direitos dos servidores.

 Mas na carta publicada pelas associações militares, o presidente da ACS lembra que Joaquim Mesquita não é bem aceito pelos policiais federais goianos. O jeito sério de Mesquita era encarado como um comportamento burocrata pelos servidores da PF. Sua gestão é caracterizada pela implantação de pontos eletrônicos na entidade, o que foi motivo de crítica dos policiais.

 Para Maxuelo Braz, a escolha de um agente da PF para a Segurança Pública desmerece a PM. “É uma crise entre as instituições, porque a PF prestou um serviço abrupto contra a PM e abaixou a cabeça de toda a corporação. Não somos a favor de quaisquer desvios de conduta, mas a Sexto Mandamento não conseguiu provar absolutamente nada.”

 Tanto o governo goiano como a SSPJ foram procurados pelo POPULAR e ambos não quiseram se pronunciar sobre o caso. Maxuelo afirma que já pediu reuniões com o governador Marconi Perillo e com João Furtado Neto. As entidades da Polícia Civil reagiram com tranquilidade à indicação de Joaquim Mesquita.

 Fonte: O Popular