Um advogado foi detido na tarde de ontem, acusado de entregar seis telefones celulares para um preso que aguardava para ser ouvido dentro do Fórum de Araraquara. O defensor alegou que precisava dar uma muleta ao detento, a pedido da mãe do réu. Os aparelhos seriam levados à Penitenciária.
O acusado é José Roberto Nassuti Fiori, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O detento, de 42 anos, saiu do presídio para ser ouvido pelo juiz da Vara de Execuções Criminais. Ele havia fraturado a perna e estava utilizando muletas há algumas semanas.
Ao chegar ao Fórum, alegou que o acessório estava quebrado e disse que precisava substituí-lo. Minutos depois, estranhamente, Fiori apareceu na sala e apresentou aos policiais as muletas substitutas. Ao fazer a vistoria no objeto, o peso e a espessura chamaram a atenção. Dentro dos suportes havia seis celulares e fios para carregadores.

Prisão

Fiori e o réu foram presos em flagrante pelo crime de introdução de celulares em estabelecimentos penitenciários e formação de quadrilha. “Temos convicção de que os aparelhos seriam utilizados por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), que é um bando armado”, explicou Elton Hugo Negrini, delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Policial percebeu que algo estava errado

Todo material que é entregue aos presos é vistoriado e um dos policiais percebeu que essa muleta tinha um peso além do normal. “Ao fazer a vistoria, também fomos surpreendidos pelo que encontramos e também por quem o entregou”, declarou o tenente da Polícia Militar (PM) Saulo Vieira Runho.

Fiori diz que fez favor à mãe do réu

Por falta de cela especial na Penitenciária, o Juiz Marcos Correa determinou que Fiori fique em prisão domiciliar. Vários colegas de profissão e também representantes da OAB estiveram na DIG para tentar relaxar a prisão do advogado. Paulo Ortega foi quem assinou o pedido de habeas corpus. “O Fiori foi surpreendido ajudando uma senhora idosa. Ele não conhecia o detento e também não o representava.”
Fiori saiu da DIG por volta das 21h30 direto para o Instituto Médico Legal (IML), para fazer exame de corpo de delito. Depois, foi escoltado por várias viaturas policiais até sua casa, de onde só poderá sair com ordem judicial. O advogado não quis falar com a imprensa. Representantes do outro preso não foram encontrados para comentar o caso.

Fonte: araquara.com