Servidores de diversas categorias tumultuaram ontem as ruas de Brasília. Com fogos de artifícios, faixas e apitos, os manifestantes se concentraram em frente a prédios públicos. No Ministério da Saúde, as duas entradas foram bloqueadas e trabalhadores foram impedidos de entrar no local. As portas ficaram fechadas por cerca de uma hora, quando os manifestantes seguiram para o Palácio do Planalto.

 A manifestação teve o objetivo de pressionar o governo pelo reajuste de 78% nos salários acordado em 2010, mas que ainda não saiu do papel. Reunidos na Praça dos Três Poderes, os servidores pediam ao governo que abrisse a mesa de negociações e ameaçavam fazer uma greve nacional. “Aguardamos a resposta positiva do governo”, disse o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal, Oton Pereira Neves. Segundo ele, a adesão à manifestação foi forte em vários setores do funcionalismo público e, ao que tudo indica, deve ser ampliada. Neves adiantou que, no próximo dia 4, as categorias vão se reunir em plenária para avaliar as propostas e unificá-las. “Queremos agir juntos, sem restrições”, enfatizou.

 A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que dois assessores receberam a demanda dos servidores e que vão encaminhá-las ao ministro Gilberto Carvalho. Mas a data para a primeira reunião entre a categoria e o governo ainda não foi definida.

Corrupção

Enquanto servidores do Executivo protestavam na Praça dos Três Poderes, advogados e defensores públicos escolheram o entrada da Advocacia-Geral da União (AGU) como cenário para manifestação. O grupo parou o trânsito em frente ao prédio para exigir pressa na aprovação da reforma do Judiciário e reajustes salariais da categoria. Além disso, pedem que haja mudanças, sobretudo no combate à corrupção. “O quadro de abandono das carreiras públicas e a falta de um sistema informatizado entre as categorias não podem continuar”, afirmou o presidente do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal, Alan Titonelli. Até o fechamento dessa edição, o governo não havia se pronunciado em relação às reivindicações da categoria.

Fonte: Correio Braziliense