Um homem de 33 anos morreu, domingo, após ser vítima do disparo de uma pistola Taser — que deveria ser não letal — efetuado por um policial militar em Florianópolis. Semana passada, a mesma arma provocou a morte do estudante paulista  Roberto Laudisio, de 21 anos, em Sidney, na Austrália. A Taser é uma pistola que imobiliza o alvo por choque elétrico. O assistente de controladoria Carlos Barbosa Meldola recebeu a descarga após discutir  com sua mulher e PMs e ameaçar se jogar do terceiro andar do seu prédio, na Praia  dos Ingleses. Após a descarga elétrica ele chegou a ser socorrido, mas morreu no local devido a uma parada cardiorrespiratória.

Para especialistas ouvidos pelo GLOBO, os casos recentes mostram que a Taser não pode ter sua letalidade ignorada. Para eles, a arma traz risco de morte. Segundo a PM catarinense, a mulher de Meldola, que pediu para não ter o nome divulgado, chamou a polícia para ir até o apartamento do casal porque o marido estava muito agitado.

De acordo com ela, ele havia passado a tarde consumindo cocaína. Quando os dois soldados chegaram ao local, tentaram conversar e acalmar Meldola. O homem ficou ainda

mais nervoso e fez menção de que iria se jogar pela janela. Então, um dos policiais usou a Taser para imobilizá-lo. Segundo a assessoria da Polícia Civil, foi aberto inquérito para investigar o caso, mas o delegado responsável não iria se manifestar.

A PM abriu um inquérito policial militar para investigar a ocorrência e apreendeu a arma. Ainda segundo a PM, a Taser foi usada mais de 200 vezes desde o fim de 2008, quando a PM adquiriu a arma. É a primeira vez em que se registra morte devido a seu uso no estado.

— A definição não letal está errada. É uma arma menos letal, mas que tem seu risco — explica o ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da PM de São Paulo. Embora tenha intensidade muito pequena (0,0036 ampère), bem menor que a de choque do chuveiro elétrico (30 ampères), por exemplo, a descarga da Taser pode ser potencializada em algumas situações:

pessoas com problemas neurológicos, histórico de complicações cardiovasculares e que usem marca-passos. Segundo o cardiologista Tales de Carvalho, doutor em Medicina

pela USP, o uso de drogas e álcool pode alterar o ritmo do batimento cardíaco.

— Em conjunto, a droga e a Taser podem aumentar o potencial de uma parada cardíaca e resultar em morte — diz o médico.

— Contra um sujeito saudável, que esteja parado, a Taser é segura. Mas não dá para dizer que não tem letalidade — explica Guaracy Mingard, cientista político e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O comandante superintendente de Planejamento da Guarda Municipal de São Paulo, Dalmo Álamo, diz que a arma precisa ser utilizada com cuidado:

— Nas nossas operações, mesmo que haja um grupo de quatro ou cinco guardas, somente um tem autorização para disparar, para evitar mais de uma descarga.

Fonte: cremerj.org.br