Além de uma quantidade de policiais nas ruas muito menor do que a encontrada no Rio de Janeiro a Baixada Fluminense também sofre com a falta de estrutura nas delegacias da Polícia Civil. As duas principais unidades da região, a de Nova Iguaçu (52ª DP) e a de Duque de Caxias (59ª DP), ainda não têm, por exemplo, um sistema informatizado, integrado ao programa Delegacia Legal. Com isso, muitos procedimentos ainda precisam ser feitos em máquinas de escrever, como explica um inspetor.

– Pelo computador, só fazemos registros de ocorrência. Não conseguimos consultar termos de declaração, nota de culpa, auto de reconhecimento ou portarias para a instauração de inquéritos, por exemplo. É tudo no papel. Os registros de ocorrência só foram informatizados em 2010. Com isso, qualquer alteração ou correção nos registros anteriores a esse período (registros de aditamento) precisam ser feitas na máquina de escrever, onde também fazemos os registros de extravio de documentos, em casos de perda, por exemplo.

Na 59ª DP, a média é de 80 registros de ocorrência (R.O.s) por dia. Os delegados não conseguem despachar todos no mesmo dia e o trabalho acaba se acumulando. No cartório, há cinco escrivães que são responsáveis por 6.000 inquéritos ainda não arquivados. Eles são responsáveis por tomar depoimentos e solicitar perícia, entre outros procedimentos. Em uma sala do segundo andar, uma policial explica o motivo de tirar cópias de um auto de prisão de flagrante feito no fim de semana na delegacia de Piabetá (66ª DP):

– Nos fins de semana não há delegados em todas as delegacias e uma unidade funciona como central de flagrantes, para onde são levados todos os presos da região. Como o suspeito foi preso na nossa área, o caso precisa ser investigado por nós. Se o sistema fosse informatizado, eu acessaria o registro pelo computador daqui e o delegado da outra unidade faria a transferência online. Como o nosso sistema é antigo, um policial tem que ir pessoalmente até a outra delegacia, pegar o procedimento e a gente tira uma cópia. Aí, temos que abrir outro registro aqui, porque a numeração da ocorrência precisa ser diferente. Nas delegacias legais, os R.O.s têm a mesma numeração dos inquéritos. Aqui não é assim. Essa demora e burocracia prejudicam o nosso trabalho.

Nestas duas unidades, a estrutura física também é precária. Há apenas um banheiro para homens e mulheres, onde não há papel higiênico e as lâmpadas estão queimadas ou não existem. Não há também funcionários com a função específica do atendimento preliminar. Dos 525 roubos de veículos registrados na baixada em janeiro deste ano, 152 foram nas áreas da 52ª DP e 59ª DP, duas das 18 delegacias da região. Desse total, cinco delegacias ainda não estão integradas ao programa Delegacia Legal.

Apesar de ter registrado mais homicídios do que a capital em 2011, a DHBF (Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense) não tem estrutura para centralizar e investigar todos os casos, como acontece na capital. Em janeiro, o efetivo da unidade era inferior a 30 policiais. Na capital, onde a DH (Divisão de Homicídios) tem mais de 200 agentes, dezenas de viaturas e uma perícia móvel própria, que está presente em todos os locais de homicídios, o índice de elucidação de casos subiu de 3% para mais de 30% em pouco mais de um ano. Na baixada, a Polícia Civil não soube informar a quantidade de casos solucionados.

Em um corredor da 59ª DP, um gari que sofreu um acidente tentava descobrir se havia algum registro de ocorrência para ele apresentar na empresa onde trabalha. Se o sistema da delegacia fosse informatizado, bastaria escrever o nome dele para a ocorrência ser localizada.

– Estou aqui há quase uma hora. A policial me disse que pediu a outro policial para procurar o registro para mim. Ela me pediu paciência porque ele vai ter que procurar em todos os registros feitos no dia do acidente, um por um, e isso pode levar tempo.

Outro lado

A Polícia Civil informou que as cinco delegacias da baixada que não estão incluídas no programa Delegacia Legal serão informatizadas até o fim de 2012. A instituição, porém, não respondeu sobre investimentos na Divisão de Homicídios local.

52 DP
A Delegacia de Nova Iguaçu (52ª DP) é uma das cinco unidades que serão reformadas até o fim do ano, segundo a Polícia

Fonte: R7