Após os 12 dias do motim de policiais militares, que acabou no sábado, o governador Jaques Wagner decidiu endurecer. Em entrevista coletiva ontem, na Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), Wagner disse que melhorar salário não garante trabalho eficiente da polícia e estuda reestruturar a Corregedoria, onde admite haver problemas.

“Adianta eu dar um salário melhor? Não é isso que resolve. São Paulo tem salário menor, mas não fez paralisação e tem outra organização”, elogiou Wagner. Na verdade, em São Paulo, o salário do soldado é de R$ 2.427, contra os R$ 2.173 pagos na Bahia.

Um dos méritos apontados pelo governador na política de Segurança  do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, é o rigor com os agentes que cometem infrações. “Minha Corregedoria aqui é sem estrutura e talvez isso seja um dos elementos onde as pessoas acabam achando que podem fazer qualquer coisa”, reconheceu o governador. “Pode ser que lá tenha se encontrado uma forma de estruturação, e é isso que a gente está trabalhando para estudar. Só salário, sem cobrança, sem exigência, também não se trabalha”, avaliou.


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Na Bahia, o índice de homicídios por 100 mil habitantes é de 37,7, ante os 13,9 de São Paulo, conforme dados de 2010. Entre os investimentos que o governador avaliou como prioritários para a melhora da segurança no estado estão o aumento da tropa, a melhoria da estrutura física dos quartéis, a renovação da frota de viaturas e a construção de um Centro de Comando
e Controle, ao custo de R$ 60 milhões, ainda sem previsão de prazos de entrega.

Defesa 

Apesar das críticas recebidas em todo o país devido à forma que conduziu as negociações, o governador avalia ter acertado em não ceder aos pedidos dos grevistas que estavam amotinados na Assembleia, liderados por Marco Prisco, presidente da Associação de Praças, Bombeiros e Familiares (Aspra).

“Fiz o que precisava ser feito. A alternativa era chancelar a metodologia (dos grevistas), e aí ano que vem é outra assembleia, outro tiro na rua e aí o céu é o limite”, ponderou o governador.

O petista citou como exemplo o estado de Sergipe, administrado pelo seu colega de partido Marcelo Déda, como exemplo dessa perda de controle devido a uma condução negociada da greve.

“Lá fizeram um movimento no ano passado, ele acabou assinando R$ 3 mil de salário, e agora já quiseram fazer o mesmo movimento de novo”, salientou.
Wagner destacou que o salário do soldado da PM chega a ser o quarto maior em alguns municípios do estado. “Atrás apenas do prefeito, do gerente do banco e daqui a pouco chega o soldado. Não é grande, mas não dá para dizer que não é nada”.

Liderança 
Por fim, o governador minimizou a liderança do ex-PM Marco Prisco dentro da Polícia Militar baiana, apesar de o ex-soldado ter comandado a greve que parou a corporação e aterrorizou a população do estado.

“Essa associação é a que tem o menor número de filiados. Mostra de que a natureza desse tipo de liderança não tem, na minha opinião, a maior simpatia dentro da tropa. As pessoas não gostam de colegas ameaçando e confrontando colegas, de colega ameaçando a população, a autoridade, a imprensa”, avaliou o governador.

Líder grevista critica governador
O soldado Ivan Leite, membro da Aspra, que comandou os grevistas após a prisão de Prisco, lamentou que o estado priorize o fortalecimento da Corregedoria. “Foi endurecendo com os policiais que ele fez o movimento crescer, que ele fez a imprensa nacional ver quem ele é. Ele não entende que, se respeitar o policial, vai se ter um retorno muito maior”, disse.

Segundo Leite, a Corregedoria atualmente já pune com rigor os policiais que cometem infrações administrativas. “Corregedoria existe, a legislação militar é forte e os policiais são punidos por qualquer besteira. Agora, se você ficar oito dias sem aparecer, é demitido. Se você estupra ou mata, vai para a Justiça e fica empurrando com a barriga”, acusou.

O soldado Agnaldo Pinto, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar (APPM), debochou do governador. “Ele teria que preparar a outra tropa e deixar essa de sobreaviso. Quando os 30 mil cruzarem os braços, ele chama”, disse.