Nesses meses vimos alguns colegas policiais acusados e suspeitos de crimes. E aqui não irei defender a inocência ou culpa dos colegas, mas sim o apóio que devemos a eles enquanto irmãos de classe.

Muitas vozes se levantaram para criticar os colegas e algumas até mesmo os condenaram, supondo provas e fatos que nunca presenciaram.

Nesse fim de semana fui com o amigo Anselmo visitar os colegas acusados que hoje estão presos preventivamente. E lá conversamos com eles, escutamos e nos oferecemos para ajudar.

Escutamos dos dois um principal reclamo: a falta de assistência do Sindicato. Infelizmente o Sindicato que deveria fiscalizar a formalização do procedimento inquisitorial de um deles  não o fez.

E aqui não se reclama para o Sindicato defender o filiado na condição de inocente, mas sim defender e lutar por um processo justo, direito fundamental da pessoa humana.

O que se vê quando um policial é suspeito é que a mídia tem sede de condenação. A imagem do suspeito dificilmente é preservada e o que temos é uma verdadeira condenação antecipada, junto com a execração pública.

E é nesses momentos que o Sindicato deve atuar, seja fiscalizando a própria Instituição Policial que pode ceder a pressão midiática, seja no apoio classista e pessoal que o colega necessita

O fato é que tais momentos são de extrema fragilidade para os colegas suspeitos, que podem até mesmo se transformar em bodes expiatórios de fatos alheios que não houveram punições em momentos anteriores, ou então do ódio midiático que transforma a polícia em  uma monstruosa entidade de abuso e excessos.

E são nesses momentos que não podemos esquecer nossos colegas, devemos exigir um processo justo, um inquérito isento e imparcial. Jamais podemos permitir que a imagem de um colega seja maculada sem uma condenação justa com toda a ampla defesa e contraditório merecido.

Espero que o Sindicato assuma a função de defensor da classe, pois quando se critica um colega, quando condenam antecipadamente uma pessoa se condena toda a categoria. Não podemos permitir que um colega fique só num momento de tamanha necessidade.